segunda-feira, abril 15, 2024
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Argentina dá asilo a seis opositores venezuelanos em embaixada e denuncia corte de luz

por Leo Lopes
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A Argentina confirmou, nesta terça-feira (26), que está dando asilo a líderes políticos da oposição na residência oficial de sua embaixada em Caracas e manifestou “preocupação” com o corte no fornecimento elétrico da sede diplomática na última segunda (25).

Em comunicado, a Casa Rosada advertiu ao governo da Venezuela “sobre qualquer ação deliberada que ponha em perigo a segurança da equipe diplomática argentina e dos cidadãos venezuelanos sob proteção”.

O governo argentino também lembrou que é obrigação do Estado receptor de missões diplomáticas salvaguardá-las de “invasões ou danos e preservar a tranquilidade e dignidade da mesma”.

Fontes do governo argentino confirmaram à CNN que estão dando asilo a seis opositores que têm mandado de prisão.

“São dirigentes perseguidos que precisavam de proteção”, explicaram. “Não somos um foco opositor em Caracas, somente estamos atuando em exercício efetivo de proteção dos direitos humanos”, esclareceram.

O texto do comunicado, emitido pelo escritório do presidente Javier Milei, explica que o acolhimento dos opositores foi concedido sob o respaldo da inviolabilidade garantida pela Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, da qual ambos os países são signatários.

O comunicado argentino também “expressa sua inquietude diante da deterioração da situação institucional e atos de intimidação e perseguição contra figuras políticas da Venezuela”.

No texto, ainda há um pedido de Milei para que o presidente Nicolás Maduro “garanta a segurança e bem-estar do povo venezuelano e convoque eleições transparentes, livres, democráticas e competitivas, sem proscrições de nenhum tipo”.

Perguntado pela CNN acerca da denúncia da presidência argentina, o governo venezuelano informou que toda posição oficial será divulgada através dos meios oficiais estabelecidos para isso, seja através de comunicados ou declarações.

Diversos mandados de prisão foram emitidos nas últimas semanas pelo Ministério Público da Venezuela após a denúncia de supostos planos de conspiração contra Maduro e o governador do estado de Táchira, Freddy Bernal.

Entre os presos, estão sete integrantes do movimento político Vente, de María Corina Machado. Outros sete colaboradores da líder opositora estão com mandado de prisão.

A Argentina está sem embaixador em Caracas desde o início do governo Milei, que disse que não se relacionaria com comunistas.

A tensão entre os países escalou desde fevereiro, quando uma aeronave venezuelana que estava retida no Aeroporto Internacional de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, foi confiscada e entregue aos Estados Unidos. Caracas qualificou a ação como um “roubo descarado”.

Em represália, a Venezuela proibiu que aeronaves argentinas sobrevoassem seu espaço aéreo.

O porta-voz da presidência argentina, Manuel Adorni, chamou os governantes chavistas de “amigos do terrorismo” e o chanceler venezuelano, Yván Gil, chamou o governo Milei de “neonazista”, além de “submisso e obediente ao seu amo imperial”, em referência à atual relação argentina com os Estados Unidos.

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