segunda-feira, fevereiro 12, 2024
Home Mundo Humanos alteraram tanto a Terra que animais migratórios têm risco de extinção

Humanos alteraram tanto a Terra que animais migratórios têm risco de extinção

por karolineporto
0 Comente
humanos-alteraram-tanto-a-terra-que-animais-migratorios-tem-risco-de-extincao

As fêmeas das tartarugas-de-couro estão entre as criaturas mais intrépidas do mundo, fazendo viagens de até 16 mil quilômetros após nidificarem para encontrar comida em mares distantes. Sabe-se que elas partem do sudeste asiático tropical até as águas frias do Alasca, onde as águas-vivas são abundantes.

Mas viajar tão longe significa encontrar ameaças que podem ser fatais: redes de pesca destinadas a outras espécies, caçadores furtivos, poluição e águas aquecidas pela crise climática, que obrigam as tartarugas a viajar ainda mais longe para encontrar as suas presas.

Essas tartarugas são apenas uma das centenas de espécies migratórias – aquelas que fazem viagens notáveis todos os anos através de terras, rios e oceanos – que estão em risco de extinção devido à interferência humana, de acordo com um relatório histórico da agência da ONU publicado na segunda-feira (12).

Das 1.189 criaturas listadas pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, ou CMS, mais de uma em cada cinco estão ameaçadas. Incluem espécies de todos os tipos de grupos animais – baleias, tubarões, elefantes, gatos selvagens, aves de rapina, pássaros e insetos, entre outros.

Cerca de 44% das espécies listadas estão passando por declínios populacionais, disse o relatório. O mais alarmante é o estado dos peixes migratórios do mundo: quase todos, 97%, dos peixes listados estão ameaçados de extinção.

O relatório é o primeiro a avaliar o estado das espécies migratórias e como elas estão tentando sobreviver em um mundo dramaticamente alterado pelos humanos.

Ele concluiu que as duas maiores ameaças eram a superexploração e a perda de habitat devido à atividade humana, como o desmatamento de terras para agricultura, estradas e infraestruturas. Essas atividades também fragmentam os percursos das espécies migratórias, muitas vezes impossibilitando-as de completar o seu percurso.

Cerca de 58% dos locais monitorados reconhecidos como importantes para espécies migratórias enfrentam o que a convenção considera níveis insustentáveis de pressão humana.

As mudanças climáticas e a poluição também são ameaças importantes. As temperaturas mais altas não só forçam algumas espécies a viajar mais longe, mas também podem levar os animais a se deslocarem em diferentes épocas do ano. Isso pode significar perder uma presa ou um par para reprodução.

Morcegos frugívoros / Ron Magill / Arquivo Pessoal

Um exemplo particularmente marcante é o narval. Essas criaturas marinhas de aspecto mítico, famosas pelas suas presas em espiral, passam os verões em zonas costeiras quase sem gelo antes de migrarem para sul, para as águas mais profundas do Ártico.

No entanto, à medida que os oceanos aquecem e a expansão anual do gelo marinho acontece cada vez mais tarde, os cientistas descobriram que alguns narvais estão atrasando a sua viagem, arriscando-se a ficarem presos no gelo marinho, sem aberturas para respirar, se o flash de gelo congelar no outono.

O aquecimento global também pode causar a destruição de habitats, como recifes de coral para criaturas marinhas.

A poluição luminosa também está tornando a migração mais perigosa para algumas espécies, especialmente para as aves. No McCormick Place Lakeside Center, um edifício de Chicago às margens do Lago Michigan, mais de 40 mil aves mortas foram recuperadas desde 1978, observou o relatório, tendo colidido contra o prédio após serem atraídas pela luz de suas janelas.

Alguns encalhes em massa de baleias têm sido associados à poluição sonora, enquanto a poluição por plásticos tem sido associada à mortalidade de albatrozes, grandes aves marinhas migratórias.

O relatório esclarece como as criaturas que fazem essas viagens muitas vezes espetaculares também desempenham um papel vital na manutenção do delicado equilíbrio ecológico da Terra.

Veja também: imagens das espécies descobertas em 2023

  • 1 de 10

    Hyperolius ukaguruensis, uma rã de garganta espinhosa encontrada nas montanhas Ukaguru, na Tanzânia. Espécie silenciosa não vocaliza.

    Crédito: Divulgação: Museu de História Natural de Londres

  • 2 de 10

    Acontias mukwando é uma espécie de lagarto sem pernas nova para a ciência. O animal foi avistado pela primeira vez nas encostas da Serra da Neve, em Angola

    Crédito: Divulgação: Academia de Ciências da Califórnia

  • 3 de 10

    Strophurus spinula é uma espécie de lagartixa que possui uma cauda espinhosa. Além do padrão incomum nos olhos, o que chama atenção no animal é sua capacidade de “atirar” uma “gosma” pela cauda

    Crédito: Divulgação: Museu de História Natural de Londres

  • 4 de 10

    A mariposa da espécie Tachystola mulliganae foi identificada pela primeira vez em Londres. Porém, cientistas descobriram que o inseto na verdade é nativo da Austrália

    Crédito: Divulgação: Museu de História Natural de Londres

  • 5 de 10

    O goby (tipo de peixe com nadadeiras raiadas de pequeno a médio porte) Lady Elliot foi visto na Austrália enquanto pesquisadores tentavam encontrar uma arraia. O peixe habita águas rasas de recifes, nadando a espreita de pegar camarões

    Crédito: Divulgação: Academia de Ciências da Califórnia

  • 6 de 10

    Neanthes visicete é um verme poliqueta (anelídeos marítimos conhecidos por terem “muitas cerdas”) que foi descoberto na carcaça de uma baleia na Austrália.

    Crédito: Divulgação: Museu de História Natural de Londres

  • 7 de 10

    Durante muito tempo, a planta costa-riquenho Stenostephanus purpureus foi confundida com uma espécie mexicana

    Crédito: Divulgação: Academia de Ciências da Califórnia

  • 8 de 10

    A Halgerda hervei é uma das 20 espécies de lesma marinha descobertas em 2023. Sua coloração branca e preta se deve à falta de penetração da luz nas profundezas do mar

    Crédito: Divulgação: Academia de Ciências da Califórnia

  • 9 de 10

    As aranhas planas são animais difíceis de se capturar e estudar. A Karaops dejongi é uma das 19 encontradas por Sarah Crews, pesquisadora da Academia de Ciências da Califórnia

    Crédito: Divulgação: Academia de Ciências da Califórnia

  • 10 de 10

    O macho da espécie chinesa Anthromacra qiang possui uma casca reluzente, este é um dos vários besouros descobertos em 2023

    Crédito: Divulgação: Museu de História Natural de Londres

“Esses animais fazem, antes de mais nada, parte dos ecossistemas onde são encontrados”, disse a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, à CNN. “E temos muitas evidências que mostram que se removermos essas espécies, se elas diminuirem, isso terá impactos nos ecossistemas onde são encontradas, e não de uma forma positiva”.

Veja os morcegos, por exemplo. Pode ser difícil pensar neles como criaturas que tornam o mundo um lugar mais bonito. Mas aquelas que migram têm um papel crucial como polinizadores de uma enorme variedade de frutos e flores – polinizam mais de 500 espécies de plantas com flores, afirma o relatório.

Os morcegos dispersam sementes, que ajudam a manter florestas saudáveis, e regulam a propagação de insetos consumindo grandes quantidades deles.

Mas os morcegos estão ameaçados pelo desmatamento, que destrói o seu habitat, bem como pela caça – a sua carne é considerada uma iguaria em alguns países. A poluição sonora também distrai os morcegos em busca de alimento, tornando-os caçadores menos eficientes.

Há também boas notícias no relatório. Existem 14 espécies que registaram tendências positivas, incluindo baleias azuis e jubarte. Mas, no geral, o quadro é alarmante.

Baleia Jubarte saltando no México / Marcel Morais

“O relatório de hoje nos mostra claramente que as atividades humanas insustentáveis estão colocando em perigo o futuro das espécies migratórias – criaturas que não só atuam como indicadores de mudanças ambientais, mas também desempenham um papel fundamental na manutenção da função e da resiliência dos complexos ecossistemas do nosso planeta”, disse Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O relatório foi apresentado na segunda-feira, em uma importante conferência da ONU sobre conservação da vida selvagem em Samarcanda, no Uzbequistão.

A redução das ameaças às espécies migratórias exigirá esforços globais, dizem os especialistas, uma vez que muitos animais que fazem essas jornadas regulares atravessam fronteiras internacionais, seja em terra, no mar ou no céu.

“As espécies migratórias têm um papel especial na natureza, pois não reconhecem fronteiras políticas”, disse Anurag Agrawal, professor de estudos ambientais na Universidade Cornell. “Em vez disso, elas unem grandes áreas do planeta através de seus movimentos. A sua conservação requer, portanto, cooperação internacional”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

inglês

versão original

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

categorias noticias

noticias recentes

as mais lidas

News Post 2025 © Todos direitos reservados